where the writers are
Um só mundo
La Nouba, Cirque du Soleil, Disney Downtown

Quanto mais eu observo as pessoas, mais eu vejo que somos todos iguais. Não importa quem você é, ou de onde você vem. No fundo, somos todos iguais. Estou sentada num dos bancos de uma rua movimentada, cheia de lojas e bares. O lugar é seguro, posso relaxar que não serei atacada por vândalos, apesar de já ser quase meia-noite, pois eu estou na "America".

Há muitas pessoas passando por aqui: famílas, casais, amigos, vejo de tudo. Este é um bom local para se passear nas férias. A música da loja em frente é alta, mas não o suficiente para atrapalhar a minha tranquilidade e, além do mais, o som é de boa qualidade. Já estou cansada de ficar observando o mundo a passar por mim, preciso fazer parte desta massa em movimento. Levanto-me e vou caminhar um pouco.

Em cinco minutos que deixei o meu banco, alguém  esteve lá e esqueceu uma câmera fotográfica. Quando volto, encontro o banco vazio e a câmara no chão. Um casal de americanos se aproxima do banco, enquanto eu observo sentada no banco ao lado. Eles conversam um pouco, olham para a câmera abandonada a seus pés e sorriem. Tenho quase certeza de que eles pegarão a máquina e irão embora. Passados alguns minutos, eles se levantam e somem na multidão. Eu me enganei, eles não tocaram na câmera. Ela continua lá. 

À minha frente, há dois latinos que também observam. Muitas pessoas passam, mas ninguém senta no banco. Em dois segundos que me distraio e olho para outra direção, a câmera simplesmente desaparece, como num passe de mágica. Alguém que passava por aqui apenas se abaixou, pegou-a e foi embora e eu não consegui ver quem foi... inacreditável, parece até que estou em outro lugar (na Cinelândia -RJ, por exemplo, tão famosa por ser palco destes pequenos delitos) e não neste país chamado de "primeiro mundo", onde todos são ricos, etc, etc e não precisam sequer desejar um objeto alheio, pois têm condições de comprar um igual a qualquer momento com seu próprio dindim.

É por isto que ainda não consigo confiar nas pessoas, pois quando penso que ainda existem algumas honestas, que se preocupam com o próximo mais do que com si mesmas, vem a realidade me mostrar que estou enganada, que não é bem assim que as coisas caminham por aqui. É uma pena, afinal, tudo o que espero é que eu possa ver a realidade e não que eu continue vivendo de sonhos e esperanças, comprando as imagens que os poderosos insistem em nos vender, pois já estou farta de decepções. E, um mundo de ilusões só é bom nas telas de cinema, ou nas páginas de um livro, não na história da minha vida.