where the writers are
Las Vegas

Imaginem a minha situação: eu sou aquela mulher de trinta, solteira, que, por pura diversão (ou falta do que fazer), resolve viajar com os pais para a "cidade do pecado". Las Vegas, aí vamos nós. Enquanto separo as roupas para a viagem, visto algumas para ver se me caem bem em vou exibi-las ao papai. Com uma minissaia prateada, um top extravagante e uma sandália de salto, chego desfilando à sala onde ele assiste ao jornal da noite.

- Nossa! Você vai sair assim?

-Não! Esta é a roupa que vou levar a Vegas.

- Ah, bom... porque está frio lá fora, minha filha.

Ok. Figurino aprovado, posso acabar de embalar minhas roupas em saquinhos plásticos para não amassarem na viagem e começar a separar a maquiagem (o mínimo possível, pois quero comprar as novidades de lá).

Desta vez serão apenas nove dias em Vegas, o suficiente para dar uma relaxada e esquecer os problemas do cotidiano (se é que existe algum!).

                                                                           * * *

Ai com que saudades eu estava deste café aguado com creme, ou leite, o que seja, para melhorar o seu sabor! Agora eu já sei, o que me faz sentir-me na América é este sabor de café, digo, cevada, que eu só experimento aqui. Acabei de jantar um frango branquinho com purê de batatas achando uma delícia, já pode imaginar o tamanho da minha fome, não é? Pudera, almocei às onze da manhã, lanchei um pão de batata com café às duas, mais um café com leite às seis e o jantar foi servido às onze da noite. Conclusão: o jantar do avião se tornou uma ceia maravilhosa!

Agora à minha frente: água, vinho da Califórnia e café com creme no copo de isopor, tudo tão americano... que bom! Tenho comigo um livro, mas nem me atrevo a abri-lo. Está escuro demais para ler e as letras são muito miúdas: vão me deixar tonta. 

O avião está lotado de americanos e brasileiros e eu não vejo a hora de chegar em Las Vegas, para começar a tomar minhas Piñas Coladas e fazer as comprinhas básicas. Segundo informações da companhia aérea, faz muito calor em Vegas: quase 40 graus Celsius. Nosso vôo até Dallas, no Texas, tem duração de dez horas e mais quinze minutos de atraso. São 8236Km de distância. 

Estamos num 767 da America Airlines, prefiro voar pela Continental num 777-300 (muito mais confortável, as refeições são mais gostosas e o atendimento é melhor). Mas meus pais gostam da AA e já que estou com eles, não posso reclamar.

Estou feliz demais para conseguir dormir, então, prefiro ficar imaginando como será minha chegada a Vegas, aqueles caça-níqueis já no aeroporto revelando a fonte de riqueza da cidade, a chegada ao hotel, o calor que nos espera, as Piñas Coladas, as roletas, os shows... Vegas é sempre uma festa e o que acontece em Vegas... bom, nem preciso falar, é tudo tão mágico, tão perfeito, tão bonito que me faz sentir completa. 

Ainda bem que minha vida é assim: cheia de altos e baixos para que eu dê valor aos bons momentos. Hoje estou nas alturas, a 9147metros, para ser mais precisa e a tendência é subir ainda mais. Isto é o que chamo de "viver nas nuvens", como já disse outras vezes, é aqui que me encontro, é aqui meu lugar ideal. Felicidade é pouco para descrever o que sinto. Somento o fato de saber que estou indo para a civilização já é o suficiente para melhorar meu humor... mesmo que o "ronco do motor" aqui ao lado teime em me tirar do sério, vou resistir e perdoar: daqui a pouco estarei sentindo o aroma de muffins e canela misturado com aquele típico cheiro adocicado dos produtos de limpeza dos aeroportos norte-americanos.

Mamãe é uma figura! Ela fica apavorada com os horários no aeroporto, achando que vai  perder o vôo.  O aeroporto de Dallas é enorme, levamos uns quinze minutos para atravessarmos de um terminal ao outro e ainda tem a fila da alfândega. Se eu não ficar de olho, ela desce no teminal errado, pega a escada-rolante errada... é uma tragédia. 

Chegamos ao portão de embarque e descobrimos que o vôo está atrasado! Ha!Ha! Kak Kagda! Como sempre!. 

                                                                            * * *

Finalmente cheguei ao meu apartamento. Após três horas de descanso, saímos para jogar (e beber!). Fomos ao Mandalay Bay, MGM Grand e New York New York. Cidade vaporosa, brilhante como num conto de fadas, Vegas é uma floresta iluminada onde encontramos os seres mais interessantes e bizarros do planeta.

                                                                            * * *

Hoje fomos à piscina do hotel, almoçamos no Deny's e fizemos compras no Las Vegas Premium Outlet. À noite, jogamos vinte dólares naquela máquina gigante de um dólar do Bally's e saímos de lá com cento e quinze dólares! Jogamos no Bally's, Venetian e Paris.

Assisti ao show da Celine Dion no Caesar's Palace. Nunca havia ido a um show tão bonito como este. A viagem já valeu a pena por esta noite. Fiquei em um lugar ótimo, perto do palco e ainda dancei com uma das bailarinas do show que, em certo momento, descem do palco para dançar com a platéia. O show tem alguns atos parecidos com os do Cirque du Soleil, por ser dirigido por Franco Dragone. 

                                                                            * * *

 

Miami (ou Fort Lauderdale que seja) é muito diferente de Vegas. Aqui na Flórida, por mais que eles tentem fazer tudo bonito e certo para os turistas, não chega aos pés do brilho de Vegas. Aqui tudo é ótimo, se comparado ao Brasil. Mas depois de passar pela "Cidade do Pecado", fica difícil achar lugar melhor na América. É muita riqueza, beleza, alegria e segurança juntas. Já me arrependi de ter saído de lá tão rápido. 

Ontem tomei uma Margarita que me fez perder a praia de hoje por causa da dor de cabeça. Meus primos, Leo, Olga e crianças chegam daqui a pouco. Que bom! Estou morrendo de saudades deles. Mas, antes de me encontrar com eles, vou às compras!! Os shoppings daqui são bons, mas os de Vegas são ótimos.

                                                                              * * *

O certo seria eu retornar ao Brasil depois destes quatro dias em Miami; mas, a América é irresistível. Tenho que ficar um pouco mais. Meus primos me convidaram para ir com eles a Orlando e é lógico que eu aceitei o convite! Na semana que vem comemoraremos o aniversário da Olga com uma bela festa.

Para resumir o final da viagem: encontros e desencontros. Revi minhas amigas russas, festejamos, rezamos na Igreja Russa Ortodoxa, fizemos salada russa, bebemos vodka, comemos caviar, dançamos na boate russa, fomos a aniversário de criança, piscina e churrasco. Conheci pessoas importantes e reconheci a importância das pessoas. 

Keywords: